Quem é o orador e o que é a figura de linguagem?

“A” narrador não é necessariamente “o” narrador.

Um narrador é alguém que conta uma história. Este pode ser qualquer um. Se o meu avô me conta uma história das suas experiências durante a Segunda Guerra Mundial, então ele está a narrar uma história, e portanto um narrador.
Isto baseia-se em nada mais do que na definição semântica da palavra “narrador”.

No entanto, existe também um dispositivo literário, pelo qual um romance (ou obra semelhante que conta uma história) é apresentado como se fosse uma história contada por uma pessoa. Chamamos a esta pessoa o narrador.
A existência do narrador literário é muitas vezes revelada pela frase da história, porque a primeira pessoa do singular é utilizada (e não é apenas citar um personagem).

Como um exemplo muito simples, leia o seguinte conto:

Eu caminhei até à loja. Quando lá cheguei, vi que a loja estava a arder. Liguei para os nossos bombeiros, e o operador pegou no telefone. Quando lhe disse que a loja estava a arder, a telefonista disse “Já estou ciente do incêndio”.

O narrador é “I”. Embora não seja claro quem é esta pessoa, é claro que é ela que está a contar a história.

Também ousei um “I” em particular. É muito importante notar que cada “eu” não arrojado da história se refere ao narrador. Mas o “eu” negrito não se refere ao narrador! É apenas uma citação directa do operador, que não é o narrador da história.

O poema tem um narrador literário, e não é o vizinho!

Nota que a primeira pessoa do singular (que se refere ao narrador) não se refere ao vizinho:

Um vizinho meu

É uma maneira chique de dizer

O meu vizinho.

Por outras palavras, o vizinho não é o narrador. O vizinho é o vizinho do narrador.

É também por isso que nos referimos a eles como “o vizinho”. Esta descrição é-nos dada pelo narrador, que está a falar de uma pessoa que vive ao seu lado (descrevendo-os assim como “meu vizinho”).

Quero destacar algo que disse na sua pergunta:

O poeta apresenta o narrador como seu vizinho …

Isto é incorrecto. O vizinho não é o narrador do poema. “O poeta” (como usado por si na frase acima) é o narrador, especificamente porque “eles apresentam o vizinho”, o que significa que estão a contar a história e a decidir apresentar o vizinho ao leitor da história.

Nota

Você deduziu que “o poeta” apresenta a história. Seria mais correcto dizer que o narrador introduz a história. O narrador nem sempre é o autor.
Um exemplo disto é uma série de acontecimentos infelizes. O autor (Daniel Handler), escreveu a história como se ela fosse escrita por Lemony Snicket.

  • Daniel Handler é o autor.
  • Lemony Snicket é o narrador

In-universe, Lemony Snicket é uma personagem da história. Lemony decidiu escrever um livro para falar sobre as coisas que aconteceram no seu passado. Portanto, encontramos frases como “Estou a contar esta história”, em que “Eu” se refere a Lemony Snicket.

Lemony Snicket é o autor do livro (no universo), no sentido de que foi ele quem (no universo) decidiu escrever o livro. Mas isso é diferente da pessoa real (fora do universo) que realmente escreveu o livro (fora do universo) (Daniel Handler).

No poema, a vizinha conta uma história.

Mais especificamente, ela conta a história de ter feito uma coisa infantil. Isto faz do vizinho “um” narrador (= um contador de histórias), mas não faz dela “o” narrador (= o narrador do próprio poema).

Pense desta forma: se o vizinho fosse “o” narrador, eles estariam a usar o primeiro “eu” singular. Quando citamos directamente o vizinho, isto torna-se mais claro:

“Vivi numa quinta quando era uma jovem rapariga. E enquanto vivi nessa quinta, fiz uma coisa infantil”

Nesta citação directa, a vizinha é a narradora, pois ela está a usar “eu” para se referir a si própria.

No entanto, isto não é verdade para o poema em si:

Uma vizinha minha na aldeia
Minha da aldeia
Menina para contar como uma mola
Quando era uma rapariga na quinta, ela fazia
Uma coisa infantil.

Notificação de como a vizinha é referida como “ela” (terceira pessoa do singular). Embora a vizinha esteja a narrar algo em que ela é a protagonista principal (assim ela estaria a contar a história da sua infância, dizendo coisas como “eu vivia numa quinta”), o poema descreve esta história a partir de uma perspectiva de terceira pessoa.

O facto de a história do vizinho ser retratada na terceira pessoa, e não na primeira, prova directamente que o vizinho não é o narrador do poema, ainda que o vizinho seja um contador de histórias (narrador) que é uma personagem do poema.

Respostas resumidas e directas às suas perguntas.

Este poema é uma história sobre alguém (o narrador) que foi narrado pelo seu vizinho.
O vizinho é um personagem narrador (contador de histórias) que aparece no poema, mas não é o narrador do poema em si. Há apenas o vizinho do narrador do poema.

Quem é o orador do poema?

Não é bem claro quem está a contar a história. Apenas inferimos a existência do narrador pelo uso da primeira pessoa do singular (“meu”).

É importante notar a distinção entre “o narrador” e “o autor”. Contudo, quando não há explicação sobre quem é o narrador, a maioria das pessoas presumiria automaticamente que o autor é também o narrador.

Por isso, acho que depende de como se olha para ele. É justo assumir que o narrador é o próprio poeta, mas deve lembrar-se que esta é uma suposição e não conclusivamente provada.

Se é o próprio poeta, pode este estilo ser um exemplo do monólogo dramático?

P>É exactamente o contrário. Monólogo dramático é definido como

    1. Uma única pessoa, que não é manifestamente o poeta, pronuncia o discurso que compõe a totalidade do poema, numa situação específica num momento crítico.

Isto já contradiz directamente a sua sugestão de que é um caso de monólogo dramático se o poeta for também o narrador.

No entanto, também deve observar a intenção de um monólogo dramático:

    1. O princípio principal que controla a escolha do poeta e a formulação do que o orador lírico diz é revelar ao leitor, de forma a aumentar o seu interesse, o temperamento e carácter do orador.

O poema de Robert Frost nunca fornece realmente qualquer exposição sobre o carácter do narrador, o que significa que o poema não está a tentar ser um monólogo dramático.

P>P>Posso referir-me à série A de Eventos Infelizes de Lemony Snicket. Através da sua narração, Lemony revela como se sente doente quando pensa no que as crianças Baudelaire têm passado. Lemony está chateado com o mundo por ter deixado que tal injustiça acontecesse, e é exactamente por isso que ele escolheu contar esta história ao leitor.
Este é um caso de monólogo dramático, porque o narrador não é manifestamente o autor, e a narração do narrador é utilizada (pelo autor, como um dispositivo literário) para melhorar a história, fazendo com que Lemony comente a história à medida que se desenrola.

Alguns exemplos

Você provavelmente já viu Os Simpsons. No espectáculo, Bart e Lisa vêem frequentemente um desenho animado chamado “The Itchy & Scratchy Show”, sobre um rato (Itchy) e um gato (Scratchy) que lutam uns contra os outros.

Itchy e Scratchy são os caracteres principais de “The Itchy & Scratchy Show”, mas não são os caracteres principais de “The Simpsons” em si.

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